13 Julho, 2009

Bizarro World

Vi ontem no Multishow o que foi anunciado como "homenagem a Michael Jackson". Pensei que fosse ver alguns depoimentos e apresentações com as músicas dele. Nada disso.

Desconfiei quando vi escrito no palco "BET Awards", mas não achei que fosse um erro da programação porque estavam cantando ABC.

Depois disso, vários artistas passaram a tocar suas próprias músicas...

O mais estranho foi ver um Jamie Foxx bêbado e alucinado (ele mesmo disse que estava bebendo champagne no backstage) cantando, dançando, fazendo piada e falando que Michael era um homem negro e que por isso ele pertence aos negros que o compartilhavam com o mundo.*

De onde ele tirou isso? Não só o cantor não fazia muita questão de ser negro como suas músicas expressavam exatamente o contrário (que tal "I'm not gonna spend my whole life being a colour" como exemplo?)

Agora, alguém pode me explicar o que diabos é isso? De ator-sério-ganhador-do-Oscar ele passou a rapper-de-40-anos-pagando-de-gostoso? É alguma piada? É o Bizarro Jamie? O engraçado é que Jamie Foxx faz uma música chamada "Blame it on the alcohol" e chega numa premiação dando vexame e menciona que estava bebendo champagne há alguns minutos...

Só sei que quando ele pegou numa guitarra eu desliguei a Tv. Aquilo era qualquer coisa menos uma homenagem a Michael Jackson.

PS: Hoje descubro que BET significa Black Entertainment Television, o que explica (odeio dizer isso) mas não justifica os comentários de Jamie Foxx, mas não explica de jeito nenhum a auto-promoção dos artistas que participaram.

*Felizmente, muita gente fora desse Bizarro World também achou que Jamie Foxx passou dos limites. Achei esse comentário: "jamie foxx is as racist as racist can get…he is ignorant and I wish he and his bad movies would take their racist views & go bye-bye. His rants were racist and he proves once again how blacks tolerate their own racist views…"

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Já que estou aqui deixa eu comentar também sobre o que acabei de ver no site do Multishow procurando um link para colocar no começo do post (que por acaso não achei, não consta a exibição do BET Awards na programação do site). Eles fizeram um Top 10 artistas que não são roqueiros mas que tem atitude rock. Quem vê a lista pode concluir que "atitude rock" significa: ser psicótica (ou na melhor das hípóteses agir como psicótica para ganhar atenção), ser machista, bêbado e/ou drogado e criminoso. Anotaram tudo, meninos e meninas? 'Bora criar nossa atitude rock, então.

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10 Julho, 2009

Não se faz omelete sem quebrar a cabeça


Uma lista de coisas que eu aprendi em dois dias de aventuras na cozinha (ou melhor, rookie mistakes que cometi por sair me metendo à besta):


- Sempre seguir à risca o modo de preparo. Se diz não pare de mexer, NÃO pare de mexer, nem por um segundo. Se diz para ficar de olho no souflê, NÃO leve o cachorro para passear.

- Conferir se tem os ingredientes antes de começar a receita. Às vezes, você acha que tem fermento em casa, mas aquela xícara com pó branco na sua geladeira é na verdade bicarbonato de sódio.

- Ficar muito atento com aquele lance de fazer "meia receita" e ter que dividir tudo pela metade. Não é que eu seja uma burrona que não sabe dividir 3/4 pela metade. É que se você se distrai fácil como eu acaba dividindo os primeiros ingredientes pela metade e os últimos acaba deixando na quantidade da receita original. O pior é que só fui me dar conta disso no último ingrediente. Aí fica aquela dúvida: fazer a receita inteira? Só que nesse ponto já me esqueci quais coloquei pela metade e quais coloquei a quantidade inteira... Em resumo: se quiser fazer meia receita copie toda a receita com as quantidades pela metade num papel e siga por ele. Essa eu diria que foi a coisa mais importante que aprendi porque eu inicialmente queria fazer meia receita para não sobrar muita coisa, mas ao fazer parte da receita pela metade e a outra parte com as quantidades totais (-cuma?) tive um rendimento enorme do mesmo jeito (e um resultado nada agradável).

- E por último: farinha de rosca não é uma substituição válida para farinha de trigo. Sabia que devia ter tentando substituir por maizena mas estava desconfiada de pós brancos (ver dois itens acima) e também não quis ir ao supermercado bem no meio da receita para comprar mais farinha (ver primeiro item).

Enfim, tudo indica que devo voltar à minha dieta de pipoca no almoço e sorvete no jantar logo, logo.

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09 Julho, 2009

Dia do Homem

E eis que eu decreto hoje o Dia do Homem. Tudo bem que esse decreto tem a mesma validade daquele edito do verão passado: "A partir de hoje não mais se usarão calças", mas vou explicar porque um é mais válido do que o outro.

Em março comemoramos (quem, eu?) o Dia da Mulher. Só que ao observar certas coisas acontecendo aqui e ali acabei por concluir que chega de exaltar a mulher, está mais do que nada hora de trazer os homens de volta.

Eu comecei a notar que algo estava errado quando passei a usar a frase "ah, vira homem!" vezes demais com meus amigos.

Fiquei preocupada quando vejo que nas escolas a grande maioria das alunas são, bem... alunas e não alunos.

Aí veio a gota d'água. Primeiro dia da aula de corrida (é assim que se chama? ou é treino de corrida?) Corrijam-me se estiver errada mas sempre achei que corrida fosse um esporte unissex. Estavam lá presentes dezoito meninas - fora a professora - e dois meninos.

Alguém pode argumentar que isso não significa nada e que a maioria dos meninos estava ali do lado treinando boxe, mas depois veio a confirmação. Quando foi a vez de dizer "porquê estou fazendo corrida", um dos meninos disse que estava ali só acompanhando suas amigas porque na verdade ele fazia ginástica olímpica.

O outro menino disse que passou a treinar corrida quando teve de fugir de um bando de torcedores enraivecidos que o perseguiram na rua.

Agora, ninguém despreza torcidas organizadas mais do que eu e ele tem todo o meu apoio contra essa violência desmedida, só que basicamente o que ele estava dizendo era: sou um covarde e não tenho vergonha de admitir isso.

Parece um pouco duro falar isso, mas pense na época de nossos avós. Quando é que um homem teria a coragem de falar na frente de dezenove (e um ginasta gay) que está treinando corrida para se aprimorar na arte de fugir?

Outro exemplo: na minha aula de inglês estávamos discutindo sobre subornos. Um menino teve a coragem de dizer que aceitaria um suborno sem o menor problema. É claro que isso toca numa outra questão, a da corrupção e a da conivência da população em relação à desonestidade, mas ainda serve como exemplo de como os homens não sabem mais qual é o seu papel - frente as mulheres e a si mesmos.

Não estou idealizando ninguém, já que o único homem 100% corajoso, honesto e bondoso é o SuperMan. E o próprio nome dele diz que ele é algo acima de todos os outros men. O que estou tentando dizer é que o movimento feminista fez tanto para diminuir a importância dos homens na sociedade que hoje muitos rapazes tornaram-se ou gays* ou um simulacro do que um homem deveria ser, tentando a todo custo se adequar ao que as mulheres querem que ele seja, o que é uma contradição. Em qualquer comédia romântica dá para perceber que o homem ideal é impossível. Sinceramente, os homens dos filmes "Bridget Jones" e "O amor não tira férias", por exemplo, não existem a não ser nessa ficção montada com o único propósito de agradar as mulheres.

Já é difícil aceitar que um Hugh Grant ficaria com a Bridget Jones mas forçar a barra ao ponto de fazê-lo meio que se apaixonar por ela é demais. E o Jude Law no outro filme? Super sensível mas ao mesmo tempo beberrão, mulherengo e todo amoroso com as filhinhas, viúvo ainda por cima!

Quanto mais as mulheres insistem nesse homem que não existe e procuram alguém que se adeque às suas próprias exigências e com o crescente número de gays, os homens vão ou se enfraquecendo ou indo na direção oposta. Os homens mais à moda antiga estão reforçando seus hábitos mais negativos somente para se afirmar. No canal Sony tem aquele "Machos de respeito" que é asqueroso, sem mencionar o próprio canal Fx que é o "canal para grandes homens" e só passa filmes de ação e pornografia. (Tá, e The Office também)

Do jeito que as coisas estão, o único filme recente que mostra um homem decente é o Gran Torino e muita gente vê o personagem do Clint como sendo um racista reacionário. Se eu fosse mesmo uma ditadora, mobilizaria o meu ministério da propaganda para lançar uns filmes enaltecendo esses tais "grandes homens". Como não sou, escrevo esse post e falo mal de filmes água com açúcar.

You could... hum... lemme see... yeah... I guess, you could... I don't know... maybe... act like a man?

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08 Julho, 2009

Elegantly Dressed Wednesday


Alexa Chung, mais conhecida como "o porquê eu tenho que comprar lentes de contato verdes".

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07 Julho, 2009

In spaceships, they won't understand

Fui no teatro outro dia, assisti a uma peça excelente - mas o post não é exatamente sobre a peça.

Cheguei no teatro antes da hora e fiquei esperando na entrada uns quinze minutos.

E eis que eu descubro que aparentemente teatro é um passatempo exclusivo de pessoas com no mínimo 35 anos.

Além disso, é também aparentemente um passatempo para casais de 35 anos. Casais esses que acham a coisa mais estranha chegar no teatro e dar de cara... bem, comigo.

Não sei se era porque estava sozinha ou sei lá o que, mas senti uns ares de superioridade em grande parte dos casais de 35 anos entrando ali.

Para provocá-los (ok, agora que acabei de escrever isso, tenho que acrescentar que não me orgulho tanto da minha atitude, mas eles começaram) passei gloss na frente deles, o que pode não parecer um gesto muito provocador, mas teve um certo efeito na contra parte feminina dos meus inimigos.

Estranho que ninguém chegava lá com amigos ou até mesmo sozinho. O que me parece um absurdo.

E como estavam em maior número, esses casais estavam se achando o máximo. Sério. Parece exagero, mas eu percebo essas coisas. Do jeito que conversavam e riam estavam se achando muito espertos e muito cool, estavam todos ali fazendo um programa inteligente-cultural-de-gente-grande e tudo isso por apenas 20 reais, que esperteza.

Olhando para eles... comecei a criar um certo ódio. Ali estava eu no canto do teatro fulminando cada um deles com o olhar. "Estão pensando o que?! Vocês transformaram isso daqui numa espécie de arca de Noé balzaquiana! Vocês se acham grande coisa, mas vocês leram o conto no qual a peça foi baseada? Vocês já vieram aqui nesse teatro mais de uma vez? Para ver a mesma peça?! Sabia..."

Certamente é o mesmo tipo de casal que gosta de comprar vinhos caros. Não aqueles realmente caros, só aqueles carinhos. E quando vão ao Pão de Açucar de noite para comprá-los dão risada da garota que está segurando um flyer do Atari numa mão e um vinho de seis reais na outra.

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06 Julho, 2009

Proustiano, mas anêmico

Até quem não leu o livro ("À la recher...chimi...churri?") já deve ter ouvido a história das madeleines, onde o escritor sem querer lembra-se de seu passado enquanto está saboreando madeleines com chá.

Quer dizer, além de tomar chá com madeleines ele ainda tem uma espécie de revelação - finíssimo esse Proust.

Mas acontece que ele também disse que essas memórias têm que ocorrer involuntariamente, não deve-se forçar as lembranças pensando nelas.

E outra noite, antes de dormir, tive uma dessas lembranças. O problema é que não é nada tão glamouroso: lembrei do gosto do Clusivol.* Um xarope que era obrigada a tomar praticamente todos os dias durante toda a minha infância. Do nada lembrei do gosto horrível daquela colherada diária. Só que em invés do "episódio Clusivol" suscitar lindas memórias acabei entrando na Internet para pesquisar para que o remédio servia.

É só um complexo vitamínico. E se eram só vitaminas o que custava me dar um comprimido e não um xarope?!

* Como não estava pensando em xaropes, infância, nem nada do gênero, acho que deve ter algo a ver com a minha pasta de dente. Tenho a impressão de que mudaram a formulação da pasta do Bob Esponja...

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27 Junho, 2009

Ninguém escuta mas aí lembrei que tenho blog

Eu sei, já se passaram dois dias. Mas parece que a reação das pessoas divide-se em pranto inconsolável de fã e a total indiferença. E certola que eu não me encaixo em nenhuma das duas categorias.

Acontece que quando vieram me falar que o Michael Jackson tinha morrido eu fiquei bem chocada. Mas a pessoa que me deu a notícia não queria muito falar a respeito. (Eu secretamente além de falar a respeito queria no fundo era fazer algo a respeito, mas o máximo que consegui foi usar uma calça preta skinny*)

Como não consegui muita resposta ali, fui buscar outra pessoa. Então fui avisar minha mãe. Esta não só já estava sabendo da notícia como não parecia muito abalada:
- Mas... ele morreu. Eu não acredito... Que triste né...
- Eu tô indo dormir, Camila, apaga a luz, tá?

A última pessoa presente no recinto era minha irmã que estava jogando vídeo game e escutando música no seu Ipod:
- O Michael Jackson morreu.
- Eu sei.
- E aí?
- E aí o que?

Nem tirou os fones de ouvido.

Pensei em ligar para alguém para falar a respeito disso, mas minha irmã me alertou que as pessoas provavelmente teriam a mesma reação que ela, então não me dei ao trabalho.

No dia seguinte, encontrei com minha avó. E ela trouxe o assunto à baila.** (Eu mesma não falei nada porque juro que no dia seguinte já tinha praticamente esquecido do assunto.) Supresa, comecei a falar sobre como tinha ficado triste e ela me disse que também estava. Acabou que ficamos uns dez minutos conversando. Ela disse que sua música iria perdurar e que “ele vai deixar saudades”.

Ok, agora que acabei de escrever essa parece ser a frase mais clichê e cafona que alguém poderia usar e de tão enojado você vai até sair da Internet para assistir Alexandre. Mas de todas as (três) pessoas com quem conversei ela foi a única que emitiu uma reação adequada (e por adequada quero dizer similar a minha)

Pensando sobre isso, lembrei que quando vi o filme do Cazuza, a sala do cinema estava lotada de pessoas acima de 50 anos. Parece que são eles que realmente entendem a coisa toda (o que é uma pessoa dessas morrer) porque elas acompanharam praticamente toda a carreira deles.

O mais interessante é que eu sempre ouvi dizer que é muito enriquecedor passar tempo com crianças e com idosos. Com crianças eu sei que isso é verdade. Não achava que o mesmo era verdade com idosos mas estou começando a achar que é.

Agora com licença que vou tentar fazer esse passinho (aos 2:31m)


* Na verdade, acho que a melhor coisa que fiz foi enquanto meus colegas de trabalho faziam piadinhas a respeito da morte dele – tão sem graça quanto ofensivas uma vez que envolviam também pedofilia – não rir e ainda fazer aquela expressão de “tisc tisc”.

** Falar com avós dá nisso.

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