06 Novembro, 2009

Poser Schmoser

Ouvir conversa de adolescente é temer pela humanidade. Parece exagero, mas eis o que ouvi de dois garotos de uns 15 anos:

- Tem um amigo meu que é skinhead…

- Não, mas ele é skinhead ou é poser?

Antes de mais nada, devo dizer que o conceito de “poser” sempre me confundiu um pouco porque na escola eu achava que todo mundo era poser.

O problema está em que uma pessoa que finge ser, digamos, roqueiro e se dá ao trabalho de usar roupas e acessórios para que todos saibam que ele é roqueiro, sendo que no fundo nem é de verdade, é uma pessoa totalmente inofensiva.

Lembro-me de uma entrevista que o Rafa (ex-vj da MTV – falar de adolescente dá nisso…) fez com o Strokes. Recordo que ele disse que estavam todos conversando casualmente, que os integrantes da banda estavam bem naturais mas que quando ligaram as câmeras eles de prontidão assumiram um ar super blasé, como se tivessem entrado no “strokes mode”.

Agora se uma pessoa é poser de algo criminoso e violento quem disse que suas ações - nem que se restrinjam a palavras - não vão afetar ou causar mal a alguém? Como saberemos até que ponto ela irá para manter essa imagem que ela criou pra si mesma?

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A respeito do título (Texas schmexas).

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05 Novembro, 2009

Girls of summer

Já começou a fazer 30 graus diariamente aqui em São Paulo, o que significa um desfile de pessoas usando trajes horríveis sob a desculpa do calor escaldante. Não vejo muito problema nisso, mas por ora o que me chama atenção são essas moças com vestidos leves e floridos, sandálias (geralmente havaianas) e... mochilas. Mochilas quase sempre enormes e abarrotadas de coisas. É ou não é incongruente? Chego a imaginar onde elas estão indo para precisar de tantas provisões e o que seriam esses objetos essenciais...

Não posso falar muito porque um hábito relativamente idiota que tive que adotar essa semana foi abrir a sombrinha para não pegar tanto sol. Coisa de velhinha mor, mas era isso ou usar um daqueles chapeuzinhos com a aba virada pra cima.

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On an unrelated subject...

Não é bem déjà vu, mas uma sensação de que não importa quanto tempo passe, o quanto sua vida mude, certas situações acabam sempre se repetindo. Quero acreditar que as pessoas mudam, mas parece que elas são sempre as mesmas tenha você 4 ou 24 anos... Bem desesperador, não?

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04 Novembro, 2009

Elegantly Dressed Wednesday


Georgia May para Vogue Russia. Mais fotos aqui.

Apesar da filha de Mick Jagger, Georgia May, com seus meros 16 anos ter um estilo e aparência que gritam filme pornô/filme B, eu adorei esse vestido, especialmente as flores amarelas.

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03 Novembro, 2009

Me and the idiot box

Ultimamente as únicas duas séries que tenho assistido são Seinfeld e Big Bang Theory (Curb your enthusiasm não conta porque não vejo pela Tv). Apesar de parecer um tema banal, apareceu hoje numa conversa sobre nihilismo e gnosticismo (pode apostar que não tinha a menor noção do que estava dizendo) e alguém me chamou a atenção de que Seinfeld é uma série totalmente nihilista.

Já tinha ouvido algo parecido mas nunca levei muito a sério. Quer dizer, se é uma série tão nihilista quando dizem, o que isso diz a meu respeito?

Depois de uma busca na internet, achei uma resenha de um livro chamado Shows About Nothing: Nihilism in Popular Culture from 'The Exorcist' to 'Seinfeld' que, entre outras coisas, compara o modelo de séries antigas com o modelo das séries atuais:

"Compared to the basic, classical structure of older sitcoms, such as "The Honeymooners" or "I Love Lucy," " Seinfeld" marks a decisive break, said Hibbs. While older shows depended on a resolution of a dilemma in order to end the episode happily, the catastrophe in an episode of "Seinfeld" is frequently left unresolved. "[`Seinfeld'] goes for the art of the unhappy, but the very funny," said Hibbs.

The role of the modern family also comes under nihilistic analysis, he said. While older shows concentrate on the family unit, Seinfeld focuses primarily on single individuals. Whenever a familial situation is addressed, it is usually with a feeling of impossibility or unfeasibility."

O pior é que isso não ocorre somente em uma ou outra série, como se fosse um fenômeno isolado. É só pensar em outras séries atuais como Two and a Half Men ou Friends para ver a diferença no modo como a família é retratada.

Se pensarmos ainda em outras séries cujo foco não é a família em si, como The Office, temos a impressão de que o "nihilismo Seinfeld" de um jeito ou de outro atingiu grande parte da Tv. O problema, de novo, é de que modo isso nos afetaria. No artigo "The happy nihilism of Seinfeld" é dito que:

"Too often we are about nothing. Everything is a joke and so we are a people without big dreams, without the capacity to really build anything, without a real sustaining vision and without the capacity to sacrifice present comfort for anything beyond the immediate sweetening of life. Such is the effect when everything is trivialized."

Uma vez que até Jacques Derrida falou sobre Seinfeld, força é pensar no assunto. (ui, arcaismos!)

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Já uma série que me parece um pouco diferente é Big Bang Theory. Uma matéria do Estadão pergunta qual o segredo do sucesso da série e o engraçado é que a resposta está na própria matéria já que metade dela é uma entrevista com Jim Parsons (o ator que interpreta o Sheldon).

Me parece que o "segredo da fórmula" da série é que além do fato de Sheldon ser um personagem inteligentíssimo e grande parte das vezes totalmente inadequado ao seu ambiente (um pouco como Larry David, só que diferentemente desse, Sheldon consegue sobreviver no mundo real através de sua inteligência e de métodos científicos), a série está sempre ensinando algo e as pessoas gostam disso (eu acho). Eu, pelo menos, graças a série já sei o que é o efeito Doppler, o gato de Schrodinger, como falar "bom banho" em francês... -até a Penny está mais esperta e talvez mais nerds.

O primeiro episódio da terceira temporada é um bom exemplo disso. Enquanto Raj e Howard estão ali só como coadjuvantes cômicos, Leonard e Penny estão chovendo no molhado me irritando profundamente dando uma de Ross e Rachel, Sheldon é o único que passa por uma gama de emoções, conflitos e situações. Veja lá, na ordem dos acontecimentos: ele vai numa expedição ao Pólo Norte que significou tanto um avanço na carreira quanto um avanço na ciência moderna (ele acha que provou a String Theory), ele é traído e enganado pelos amigos, por causa disso sofre humilhações na Universidade em que trabalha, melancólico e desesperado ele volta para a cidade natal onde confronta-se com as tradições familiares (e diga-se de passagem com sua própria intolerância), o que o faz decidir voltar para Pasadena. Não tem jeito: Sheldon Cooper for the win.

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Já que estamos aqui, um teste para descobrir se você é nihilista. Não é grande coisa mas não custa lembrar (inclusive para mim mesma) do que Thomas Hibbs (autor do livro citado anteriormente) disse:

"Nietzsche and Dostoyevsky were on the opposite ends of the spectrum regarding God," mused Hibbs, "but both said that without God, anything goes." Take the route of nihilism, he added, again citing Nietzsche, and you choose "not only Jerry Seinfeld - but Columbine."

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30 Outubro, 2009

Link Freak

- Que espião é este? Testes são sempre legais e este oferece cinco perguntas sobre espiões.

- Qual o mais belo quadro da arte brasileira? pergunta Daniel Piza. Não vou fazer nenhum comentário, mas depois de ver os 10 quadros não dá para deixar de sentir uma espécie de tristeza pelos underachievers. (Aliás, deve ser muito bom ter esse poder de fazer enquetes. De fazer perguntas e as pessoas sairem correndo para responder. Que tal essa? Qual X Men você gostaria de ser? Quando pergunto isso na vida real vejo que a maioria das respostas masculinas divide-se entre o Wolverine e aquele azul do segundo filme que se teletransporta de um lugar pro outro - esqueci o nome dele… só sei que o ator é o que faz o Boris no 007 contra Goldeneye.)

- How to Build a Universe That Doesn't Fall Apart Two Days Later - Um texto curioso de Philip K. Dick que apesar de soar como loucura total, tem seus momentos relevantes, como:

The basic tool for the manipulation of reality is the manipulation of words. If you can control the meaning of words, you can control the people who must use the words. George Orwell made this clear in his novel 1984. But another way to control the minds of people is to control their perceptions. If you can get them to see the world as you do, they will think as you do. Comprehension follows perception. How do you get them to see the reality you see? After all, it is only one reality out of many. Images are a basic constituent: pictures. This is why the power of TV to influence young minds is so staggeringly vast. Words and pictures are synchronized. The possibility of total control of the viewer exists, especially the young viewer. TV viewing is a kind of sleep-learning. An EEG of a person watching TV shows that after about half an hour the brain decides that nothing is happening, and it goes into a hypnoidal twilight state, emitting alpha waves. This is because there is such little eye motion. In addition, much of the information is graphic and therefore passes into the right hemisphere of the brain, rather than being processed by the left, where the conscious personality is located. Recent experiments indicate that much of what we see on the TV screen is received on a subliminal basis. We only imagine that we consciously see what is there. The bulk of the messages elude our attention; literally, after a few hours of TV watching, we do not know what we have seen. Our memories are spurious, like our memories of dreams; the blank are filled in retrospectively. And falsified. We have participated unknowingly in the creation of a spurious reality, and then we have obligingly fed it to ourselves. We have colluded in our own doom.

Em certo ponto, mesmo fazendo uma tentativa de se mostrar muito moderno e inovador, ele acaba lançando conceitos clássicos e tradicionais, como aqui (depois de um parágrafo dizendo que na Tv os policiais são sempre heróis e que isso deveria ser questionado):

So I ask, in my writing, What is real? Because unceasingly we are bombarded with pseudo-realities manufactured by very sophisticated people using very sophisticated electronic mechanisms. I do not distrust their motives; I distrust their power. They have a lot of it. And it is an astonishing power: that of creating whole universes, universes of the mind. I ought to know. I do the same thing. It is my job to create universes, as the basis of one novel after another. And I have to build them in such a way that they do not fall apart two days later. Or at least that is what my editors hope. However, I will reveal a secret to you: I like to build universes which do fall apart. I like to see them come unglued, and I like to see how the characters in the novels cope with this problem. I have a secret love of chaos. There should be more of it. Do not believe—and I am dead serious when I say this—do not assume that order and stability are always good, in a society or in a universe. The old, the ossified, must always give way to new life and the birth of new things. Before the new things can be born the old must perish. This is a dangerous realization, because it tells us that we must eventually part with much of what is familiar to us. And that hurts. But that is part of the script of life. Unless we can psychologically accommodate change, we ourselves begin to die, inwardly. What I am saying is that objects, customs, habits, and ways of life must perish so that the authentic human being can live. And it is the authentic human being who matters most, the viable, elastic organism which can bounce back, absorb, and deal with the new.

Essa idéia de que para algo novo nascer o velho deve morrer é um tema frequente da Antiguidade Clássica (e até em obras mais recentes como Os Irmãos Karamazov de Dostoiévski e Grande Sertão Veredas de Guimarães Rosa) que pessoalmente gosto muito. Ponto extra para Philip K. Dick que vem ganhando meu respeito cada vez mais desde que vi A Scanner Darkly.

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29 Outubro, 2009

Está chovendo então...

vamos tomar um gim e entrar no mood:




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