Ultimamente as únicas duas séries que tenho assistido são Seinfeld e Big Bang Theory (Curb your enthusiasm não conta porque não vejo pela Tv). Apesar de parecer um tema banal, apareceu hoje numa conversa sobre nihilismo e gnosticismo (pode apostar que não tinha a menor noção do que estava dizendo) e alguém me chamou a atenção de que Seinfeld é uma série totalmente nihilista.
Já tinha ouvido algo parecido mas nunca levei muito a sério. Quer dizer, se é uma série tão nihilista quando dizem, o que isso diz a meu respeito?
Depois de uma busca na internet, achei uma resenha de um livro chamado Shows About Nothing: Nihilism in Popular Culture from 'The Exorcist' to 'Seinfeld' que, entre outras coisas, compara o modelo de séries antigas com o modelo das séries atuais:
"Compared to the basic, classical structure of older sitcoms, such as "The Honeymooners" or "I Love Lucy," " Seinfeld" marks a decisive break, said Hibbs. While older shows depended on a resolution of a dilemma in order to end the episode happily, the catastrophe in an episode of "Seinfeld" is frequently left unresolved. "[`Seinfeld'] goes for the art of the unhappy, but the very funny," said Hibbs.
The role of the modern family also comes under nihilistic analysis, he said. While older shows concentrate on the family unit, Seinfeld focuses primarily on single individuals. Whenever a familial situation is addressed, it is usually with a feeling of impossibility or unfeasibility."
O pior é que isso não ocorre somente em uma ou outra série, como se fosse um fenômeno isolado. É só pensar em outras séries atuais como Two and a Half Men ou Friends para ver a diferença no modo como a família é retratada.
Se pensarmos ainda em outras séries cujo foco não é a família em si, como The Office, temos a impressão de que o "nihilismo Seinfeld" de um jeito ou de outro atingiu grande parte da Tv. O problema, de novo, é de que modo isso nos afetaria. No artigo "The happy nihilism of Seinfeld" é dito que:
"Too often we are about nothing. Everything is a joke and so we are a people without big dreams, without the capacity to really build anything, without a real sustaining vision and without the capacity to sacrifice present comfort for anything beyond the immediate sweetening of life. Such is the effect when everything is trivialized."
Uma vez que até Jacques Derrida falou sobre Seinfeld, força é pensar no assunto. (ui, arcaismos!)
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Já uma série que me parece um pouco diferente é Big Bang Theory. Uma matéria do Estadão pergunta qual o segredo do sucesso da série e o engraçado é que a resposta está na própria matéria já que metade dela é uma entrevista com Jim Parsons (o ator que interpreta o Sheldon).
Me parece que o "segredo da fórmula" da série é que além do fato de Sheldon ser um personagem inteligentíssimo e grande parte das vezes totalmente inadequado ao seu ambiente (um pouco como Larry David, só que diferentemente desse, Sheldon consegue sobreviver no mundo real através de sua inteligência e de métodos científicos), a série está sempre ensinando algo e as pessoas gostam disso (eu acho). Eu, pelo menos, graças a série já sei o que é o efeito Doppler, o gato de Schrodinger, como falar "bom banho" em francês... -até a Penny está mais esperta e talvez mais nerds.
O primeiro episódio da terceira temporada é um bom exemplo disso. Enquanto Raj e Howard estão ali só como coadjuvantes cômicos, Leonard e Penny estão chovendo no molhado me irritando profundamente dando uma de Ross e Rachel, Sheldon é o único que passa por uma gama de emoções, conflitos e situações. Veja lá, na ordem dos acontecimentos: ele vai numa expedição ao Pólo Norte que significou tanto um avanço na carreira quanto um avanço na ciência moderna (ele acha que provou a String Theory), ele é traído e enganado pelos amigos, por causa disso sofre humilhações na Universidade em que trabalha, melancólico e desesperado ele volta para a cidade natal onde confronta-se com as tradições familiares (e diga-se de passagem com sua própria intolerância), o que o faz decidir voltar para Pasadena. Não tem jeito: Sheldon Cooper for the win.

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Já que estamos aqui, um teste para descobrir se você é nihilista. Não é grande coisa mas não custa lembrar (inclusive para mim mesma) do que Thomas Hibbs (autor do livro citado anteriormente) disse:
"Nietzsche and Dostoyevsky were on the opposite ends of the spectrum regarding God," mused Hibbs, "but both said that without God, anything goes." Take the route of nihilism, he added, again citing Nietzsche, and you choose "not only Jerry Seinfeld - but Columbine."
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