09 Fevereiro, 2010

My bored box

Acabei achando por acaso algo interessante nesse site: uma bored box para crianças. A autora do site colocou dentro de uma caixa várias coisas interessantes para quando os filhos dela se sentirem entediados.

Só que me ocorreu que adultos, por não possuirem a imaginação, pique e alegria full time típica de crianças, precisam muito mais de uma bored box.

Pensei em montar uma dessas para mim com:

- um kit astrônomo (luneta, bússola, mapa do céu etc);

- um tabuleiro de xadrez;

- um Dvd do filme “Terra”. Sei que é meio babaca, mas Disney rules. Vi no cinema sem imaginar que estaria lotado de crianças, mas não é necessariamente um filme infantil. Na verdade, não precisa ser exatamente esse filme, pode ser o outro sobre os pinguins, ou algum sobre as ilhas Galápagos ou até um “melhores momentos da Shark-week”. Sou capaz de me animar até assistindo um programa sobre a barracuda.

- tintas, aquarelas ou até mesmo aqueles lápis de cor que viram aquarela quando você passa água.

Hum… talvez essa bored box esteja bem 5 anos mesmo. Até poderia colocar uns Dvds de Seinfeld e Monty Phyton ou alguns de meus livros favoritos* mas estes já estão presentes demais na minha rotina** e imagino que a bored box tenha que conter coisas extraordinárias.

Enfim, o carnaval está chegando e é preciso escolher nossas diversões sabiamente. O meu conselho é: live every week like it’s shark week.

* Sem pensar muito já colocaria de cara Édipo Rei e Madame Bovary que sempre me emocionam. Aliás, a própria Madame Bovary se beneficiaria muito de uma bored box…

** Ontem mesmo fui pesquisar se a procissão de calouros recebendo trote não era parecida com o ritual que os gregos faziam para se livrar do loimos (a praga que assola a cidade no começo de Édipo). Não, não tem nada a ver.

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08 Fevereiro, 2010

This would be so much easier if I were a violent sociopath

Acabei de acompanhar pela janela o trote que os alunos veteranos dão nos alunos que estão entrando na faculdade.

Enquanto minha mãe dizia “Mas que gente asquerosa”, eu pensava no que aconteceria se tivesse um sniper no prédio procurando alvos e encontrando esse ritual patético e por vezes perigoso.

Mas é desnecessário pensar em um sniper numa hora dessas. Ao ver o comportamento dos veteranos percebi que grande parte deles já têm sérios problemas.

Sobre o título: meu episódio favorito.

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05 Fevereiro, 2010

“The Politically Incorrect Guide to English and American Literature” – Elizabeth Kantor + Revival do Clube do Livro

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Quando eu encomendei o livro “The Politically Incorrect Guide to English and American Literature” não esperava encontrar tanto da minha realidade acadêmica descrita nele.

Acho que qualquer um que esteja pensando em fazer Letras deveria ler esse livro e ter em mente que:

“Too many of the folks who teach English in college are out of touch with reality and bored with their subject. Enroll in an English class at an American university, and you might find yourself studying Marxist theory, or the history of ballet. You could be treated to an investigation of pornography through the ages. Or you might spend the semester watching foreign films. What is far too unlikely to happen is that you will be taught to understand and appreciate great literature in English language.” (p. xiii)

E isso é só o começo do livro. O bom de ter um blog quando não se tem uma memória muito confiável é que você tem um registro de fatos passados. Por exemplo: sobre estudar teoria Marxista ou ver filmes na faculdade eu já falei por aqui.

Só que não é só isso. Outras partes do livro como: “ (…) imagine you’re a Marxist professor of ‘cultural studies’ who believes that human culture is determined by economic conditions. (p. 67)”, e “And younger lefty English professors look back to the ‘60s as a sort of a golden age in which campus radicalism seemed capable of changing society. (p. 121)” me surpreenderam porque achei que a autora estava falando de uma das minhas professoras e não de uma tendência geral nos professores de faculdades americanas. O que é até meio triste, se você pensar a respeito.

E quanto a esse trecho: “For PC [Politically Correct] English professors, the fathomless complexity of the human person is reduced to the ‘question of subjectivity’. In other words, these overeducated barbarians sit around scratching their heads about whether there are any such things as human beings capable of real knowledge and freedom of action – or if all our thoughts and behavior are determined by class, race, gender, the ‘hegemonic culture’, the ‘ power structures’ in texts and so forth. (p. 195)”, quer dizer, eu tive uma matéria que baseava-se inteiramente nessa premissa.

O interessante do livro é que trata-se de um guia, ou seja, ele dá ótimas diretrizes de como estudar literatura por si mesmo.

***

O que me traz ao próximo assunto: Revival do Clube do Livro. Uma das dicas do livro é formar um clube de leitura e fofocar sobre os personagens. Ok, tem muito mais além disso, mas por ora é suficiente. O livro que escolhi foi, caso alguém esteja sem idéias de livros pra ler no Carnaval: “O morro dos ventos uivantes” de Emily Brontë. Dessa vez estou mais esperta e já comecei a ler o livro para não acontecer novamente o que aconteceu com “Esaú e Jacó”. Vou mudar também um pouquinho a frequência dos posts, ao invés de um post enorme sobre o livro farei posts menores enquanto vou lendo. Estou no capítulo 9 e estou adorando, parece um filme (meio suspense, meio romance). Ia colocar uma sinopse mas acabei encontrando uma que conta o final e fiquei irritadíssima. Enfim, dá para ler pela internet em inglês, mas tenho certeza de que é fácil encontrar em sebos ou em edições pockets.

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04 Fevereiro, 2010

O Oscar e a minha alienação

Aparentemente sairam os indicados ao Oscar essa semana e eu nem fiquei sabendo. Quer dizer, fiquei sabendo através de um amigo que não sabe nem quem é o Al Pacino. Ele veio com uma história de que serão 10 e não 5 os indicados a Melhor Filme. Disse que ele estava viajando, porque afinal não dá pra confiar numa pessoa que diz “O grande chefão”.

Essa disputa pelo título de “pessoa mais por fora no que diz respeito a cinema” foi acirrada, mas eu acabei vencendo ao perguntar se “Gran Torino” foi indicado.

Fui pesquisar quais eram os filmes indicados e constatei que não assisti nenhum deles. O que é algo inédito já que alguns anos atrás até fazia bolão do Oscar com meus amigos. E em 2008 fui no cinema com minha mãe ver todos os que estavam concorrendo.

Quanto ao lance das 10 indicações: consta que o motivo seria “aumentar o alcance da disputa”. Eu não sei vocês mas essa não colou comigo. Quando era menor ficava triste porque nunca indicavam as comédias que eu gostava, mas acabei me acostumando. E agora me vem com essa?  Vou ter que aceitar que os únicos indicados que vi são  Sherlock Holmes e Star Trek. Deve ser uma nova era: um blockbuster (Avatar), uma animação (Up – Altas Aventuras) e um Tarantino (Bastardos Inglórios) na corrida. Agora com licença que eu vou na locadora.

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03 Fevereiro, 2010

Elegantly Dressed Wednesday

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Dá pra acreditar que existe um movimento chamado SAPE (La Societé des Ambianceurs et des Personnes Élégantes) no Congo onde os participantes se vestem elegante e ricamente como dândis?

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Uma vez que a renda anual no Congo é de 100 dólares e que o homem da foto está posando na frente de sua casa, toda a questão dos sapeurs procurarem o luxo e o glamour (através de um modo de se vestir europeu) em meio a pobreza extrema é uma questão fascinante sobre a qual ainda não terminei de pensar.

Fotos de uma matéria sobre o SAPE na Colors.

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