07 Julho, 2009

In spaceships, they won't understand

Fui no teatro outro dia, assisti a uma peça excelente - mas o post não é exatamente sobre a peça.

Cheguei no teatro antes da hora e fiquei esperando na entrada uns quinze minutos.

E eis que eu descubro que aparentemente teatro é um passatempo exclusivo de pessoas com no mínimo 35 anos.

Além disso, é também aparentemente um passatempo para casais de 35 anos. Casais esses que acham a coisa mais estranha chegar no teatro e dar de cara... bem, comigo.

Não sei se era porque estava sozinha ou sei lá o que, mas senti uns ares de superioridade em grande parte dos casais de 35 anos entrando ali.

Para provocá-los (ok, agora que acabei de escrever isso, tenho que acrescentar que não me orgulho tanto da minha atitude, mas eles começaram) passei gloss na frente deles, o que pode não parecer um gesto muito provocador, mas teve um certo efeito na contra parte feminina dos meus inimigos.

Estranho que ninguém chegava lá com amigos ou até mesmo sozinho. O que me parece um absurdo.

E como estavam em maior número, esses casais estavam se achando o máximo. Sério. Parece exagero, mas eu percebo essas coisas. Do jeito que conversavam e riam estavam se achando muito espertos e muito cool, estavam todos ali fazendo um programa inteligente-cultural-de-gente-grande e tudo isso por apenas 20 reais, que esperteza.

Olhando para eles... comecei a criar um certo ódio. Ali estava eu no canto do teatro fulminando cada um deles com o olhar. "Estão pensando o que?! Vocês transformaram isso daqui numa espécie de arca de Noé balzaquiana! Vocês se acham grande coisa, mas vocês leram o conto no qual a peça foi baseada? Vocês já vieram aqui nesse teatro mais de uma vez? Para ver a mesma peça?! Sabia..."

Certamente é o mesmo tipo de casal que gosta de comprar vinhos caros. Não aqueles realmente caros, só aqueles carinhos. E quando vão ao Pão de Açucar de noite para comprá-los dão risada da garota que está segurando um flyer do Atari numa mão e um vinho de seis reais na outra.

2 comentários:

Didi Iashin disse...

VOCÊ-FOI-SOZINHA-NO-TEATRO?????

Eita, que parece uma pessoa que eu achava que conhecia - eu mesma - nas vezes que fui almoçar sozinha numa cantina na Rua Pamplona. Enfim:
assumir o ir-sozinha é uma grande barra. Mas mostra ao mundo que você nasceu assim, sozinha. Você não precisa de outra-parte para se divertir. PArece chato, às vezes você quer fazer um comentário e não tem ninguém para comentar, essas coisas.
O mundo acha o "estar-sozinha" MUITO ESTRANHO!!! É contra as normas!
E eu, o que digo?
AZEITE PARA AS NORMAS!
(nem todas, claro.)
besitos!!
PS.: O bolo de cenoura estava MUTCHO BOM!!

Camila Lopez disse...

Então... Na verdade, não fui sozinha. Foi isso que eu dei a entender? (Poxa, eu escrevo mal mesmo...) Estava só esperando uma outra pessoa chegar, por isso fiquei lá sozinha esperando uns 15 minutos.

Até mais!

PS: Obrigada, ficarei mais atenta ao modo de preparo mesmo que ele pareça um tanto fatalista. A próxima será uma Torta Sacher. Aguarde.